terça-feira, 4 de outubro de 2011

Londres, Dezembro 1995 - Retrato frio

Londres, 30 de Dezembro 1995

As minhas mãos tremem, apesar de já ter pisado os palcos dos teatros e óperas mais emblemáticos do Mundo os meus dedos fazem-se sentir nervosos. Serei eu fruto de sorte ou tenho também uma réstia de talento? Sou o que sou, fruto de uma educação, maioritariamente burguesa da cidade do Porto, sempre frequentei bons colégios (a partir de um certo momento da minha vida), estudei no conservatório, passei depois pelas escolas de música de Nova Iorque e Londres. O conceito de músico, como profissão, sempre teve uma conotação diferente no meu país, seria eu fruto / imagem de um futuro diferente? As salas esgotavam para me ouvir, era convidado para tocar em ocasiões especiais e gostava muito, muito daquilo que fazia.

Londres, era, pela segunda vez um pequeno mundo criado à minha volta, na primeira fila pessoas de grande renome da sociedade, donos de clubes de futebol, dirigentes desportivos e culturais da cidade, e a meio, rainha de Inglaterra. Fui convidado pela Casa Real a passar uma tarde nos jardins do palácio de Buckingham e tomar um chá com Rainha Isabel II. Levou-me a conhecer a sua "humilde" moradia e depois de muito conversar convidou-me a tocar algo meu. Sentei-me no Steinway de cauda, encostado a uma das enormes janelas, lá fora ouvia o rebuliço do trânsito londrino, um ou outro flash e cartazes de apoio aos filhos de Diana, entretanto falecida num acidente em Paris, e Carlos, o mal amado... Dos meus dedos soaram os primeiros tons de uma reflexão musical sobre a minha cidade, pois claro. Recriei depois tema de Chopin e um de Beethoven. A tarde foi passando e ganhei coragem para lhe perguntar:

- Promete fazer-me uma visita ao Porto?

- Claro que sim! Respondeu, simpaticamente Isabel II.

O tempo foi passando, e com ele aproximou-se a hora do recital. As pessoas acomodavam-se nas cadeiras, cumprimentavam de beija-mão a Rainha e fez-se silêncio ensurdecedor. Foram muitas as minhas dúvidas nos últimos anos, nos primeiros da minha vida artística, e essas foram finalmente dissipadas. Começava já a poder construir o meu império... nunca pensei que pouco tempos depois o céu fosse o meu abrigo, no Porto e em mais algum sítio.

O público recebeu-me muito bem, os temas surgiram em catadupa, devidamente treinados e sabidos de fio a pavio, as notas tomadas acima das linhas pautadas, a minha vida a troco de muito nada. Nessa altura, não conhecia Teresa, era um homem só... As palmas acalmavam um pouco a minha dor.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Anjos com asas

Os minutos corriam lentamente, pela janela do quarto conseguia ver o mundo a transformar-se a uma velocidade que nem o maior físico da História consegue arranjar explicação, muito menos consegue diminui-la. Os segundos que me separam de um outro, se calhar, melhor mundo, fazem com que os meus batimentos estejam bem mais lentos do que é normal. Será esta sensação, de um tal de medo que nos faz querer voltar atrás e tentar agarrar o que alguém nos tirou? Sinto tantas emoções mas estou certo que este não é o momento para dissertar sobre elas, tenho a alma de um velho no corpo de uma criança, quem sabe, um anjo transformado daqui a umas horas, ou dias. O tempo vai passando e o meu corpo ficando cada vez mais pesado. As visitas são agora feitas através do vidro e já nem me consigo levantar para fazer as minhas necessidades ditas fisiológicas nem para caminhar. O próprio peso da minha cabeça faz-me recuar quando me tento erguer para ver o mundo, lá fora, a andar.

Da janela do quarto posso ver a janela do quarto de alguém que me quer bem, e que tudo tentou para que eu pudesse estar cá mais uns anos, mas a troco de quê? Não sei bem se quero ver o outro mundo já, daqui a pouco, mas não quero penar por mais do que umas horas, dias para mim duram meses, e meses vários, vários anos. Todos os minutos em que o meu corpo se sente mais jovem aproveito para escrever as últimas linhas de um diário que ficará guardado na minha gaveta, onde nele exprimi as minhas emoções, os meus medos e as minhas aflições. Nele escrevi tanto, derramei as lágrimas em todas as folhas, escrevi sem pensar e pensei em escrever. As horas passavam um pouco mais depressa quando me distraía desta forma mas acreditem, foi tudo menos fácil. Não sei se neste momento estou a sonhar, mas sinto-me a ficar para trás... O meu corpo está bem lançado para um abismo sem retorno. E agora, o que faço? Espero!? Peço socorro? A quem? Quem me vai ouvir do lado de lá daquele vidro?

Ainda há dias, olhando o céu, perguntei em alto e bom som: Que mal fiz eu para merecer isto? Tu, que estás aí em cima, sempre atento aos maus, porque não os pões nesta cama ou outra qualquer? Estou certo que há pessoas que merecem passar pelo que eu passei, diz-me que me vais safar desta.... Os minutos foram passando e claro, respostas não se fizeram ouvir. Escrevi mais umas linhas no meu caderno e deixei-me ficar a ver as estrelas lá no céu. Quem sabe, se eu não serei uma delas daqui a... sei lá quanto tempo me resta! Tudo o que era possível fazer em relação a mim foi feito, os exames realizados e os estudos de compatibilidade efectuados. Serei eu uma peça que não tem lugar no puzzle do mundo? Terei eu feito mal a alguém antes de ter vindo ao mundo? São tantas as questões que coloco a mim próprio mas para as quais não tenho resposta. Nada sei sobre o mundo, o mundo pouco ou nada sobre mim, mas o que é certo é que vou partir sem entender o sentido da palavra amar ou do verbo constituir. Desde que me conheço como gente tem sido entre hospitais e casa, vivi prisioneiro de mim em espaços que nada têm a ver comigo. Gosto de sentir o ar fresco bater-me na cara, gostava de me lançar na montanha e ver o mundo de cima, como qualquer ave ou pássaro. Esses sim, têm o sentido apurado da liberdade. Restar-me-á algo mais depois de fechar os olhos pela última vez? Onde vou acordar? Nesse lugar, também há lugar para mim? Vou deixar toda a gente aqui? Como os poderei visitar?

Há uns dias atrás fui visitado aqui neste lugar, que chamam de quarto, por um Doutor Palhaço. Perguntou-me o que eu gostava de ser quando fosse grande, não pensei muito para lhe responder, apenas disse:

- Gostava de ser a criança que até hoje não fui! Não conheço o mundo lá fora, ou pouco... Gostava de sentir a liberdade de um pássaro, ser forte como um leão e saudável...

O tempo foi passando e eu pouco ou nada vi do mundo, não senti a liberdade, não fui forte mas resisti enquanto pude. Estas talvez sejam as últimas palavras do meu diário, mas não gostava que guardassem esta parte de mim, será pedir muito guardarem o bebé saudável que fui por uns tempos e um menino com cabelo louro... Talvez esteja na hora de fechar a caneta e adormecer com o diário em cima de mim. Talvez nele tenha a chave para uma casa no outro mundo com jardim, virado para a montanha e onde eu possa ver os pássaros voar e os possa acompanhar a correr, sem nunca me cansar! Pelo que fui peço desculpa as noites sem dormir, mas antes de partir quero ter a certeza que na minha despedida vão, APENAS Sorrir!


P.S) Relembrando histórias de "Anjos com asas" com uma visão muito própria.


Francisco Milheiro
1 de Setembro 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Feliz dia Nacional dos Avós

Não é por hoje ser dia nacional, não precisa de ser um dia especial para me lembrar de Ti, de Vocês (que cá estão ou já partiram para outra dimensão). Ficou tanto por dizer que me apeteceu escrever. Na calma da noite, apenas com o som de um piano rouco ao fundo da sala, faz-me voar para longe, bem longe.... O tempo passa tão depressa e nem um obrigado pudemos dar, adeus infelizmente disse e sabia que não era um "Até daqui a uns dias". Tenho pena de não ter nascido há mais tempo, assim não escrevia estas palavras

"Ficou tanto por dizer!"
"Faltaste-me neste momento importante..."

De nada valem as palavras se não forem sentidas. De nada valem as lágrimas se não forem reais... A saudade! Essa, é real, o tempo que passei ao teu colo, a conversar como se fôssemos dois amigos, nesse dia despias o fato e partilhavas a sabedoria de outrora, contavas-me de forma apaixonadamente verdadeira aventuras e desventuras do teu tempo.

Hoje é o teu dia, o VOSSO, eu apenas sou um dos muitos netos que há no mundo. Hoje, falo por mim e por todos os que me rodeiam:

- Avós, têm um dia FELIZ!


Francisco Milheiro
26 Julho 2011

Se nada sei... a culpa foi tua

Se pouco ou nada sei
Sobre o tal do amor
Foi porque não soubeste ter
Um terço da minha dor

Se pouco ou nada sei
Do que tu chamas de amizade
Talvez tivesses gostado
De mim, um pouco mais do que metade

Se me quiseste ensinar
A gostar de alguém que não de mim
Digo-te que esse tal de amor
Iria ter um breve fim

Se me quiseste ensinar a chorar
Digo-te obrigado
Porque me fizeste ficar
Com um brilho no olhar

Se soubesse decifrar
O que por aí vinha
Jamais teria feito
De ti uma raínha

Não te teria levado ao Coliseu
Nem receberias
Metade...
De algo que é meu

Entreguei algo
Que não julguei ter
Mas vou ser feliz
Porque só assim sei ser

Aprendi que chorar
Faz parte da aprendizagem
Mas não esperes de mim
Covardia, apenas coragem

Vou passar por ti
Não te vou reconhecer
Foste apenas alguém
Que me fez escrever

Com raiva
Falando sobre o amor
Não te conheço
É o que sei escrever, de melhor


Francisco Milheiro
23 Julho 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Menino, o piano e a Vida

As mãos tremem-me como se estivesse em cima de uma corda para passar até ao outro lado da maior cascata do Mundo. Não que o palco me assuste, aliás, se não fosse ele não sei o que seria de mim. As horas passam devagar até à minha entrada, o barulho das palmas acalmam-me e preenchem a minha pequena e pobre alma. Não sei como vim aqui parar, até há bem pouco tempo era mais um menino pelas zonas jotas da minha cidade, aprendi a viver com o perigo, com a droga dos meus irmãos e com a vida dura dos meus pais. Mas cresci, tanto por dentro como por fora. O meu metro e oitenta e esguio corpo fazem-me deslizar pelo palco na direcção daquele que durante muito tempo foi o meu amigo, meu confidente.

Há momentos em que penso, quando percorro os quilómetros entre a cidade da minha vida e os vários palcos e não consigo imaginar o que seria de mim se não tivesse conhecido a minha paixão, a Música. Há tempos vi o filme de um pianista no tempo de guerra, o mundo estava concentrado nas notícias de mortes e feridos e ele, apenas se interessava pelos sons que ecoavam na pequena sala do seu apartamento. Os sons, de uma certa forma anestesiavam-no do mundo real, e enquanto divagava pelas teclas ainda brancas do seu Straus não via mais nada a não ser o seu mundo perfeito, o tal que não existia do lado de fora da janela. Sinto sempre a entrada em palco como se fosse a primeira, recebo com carinho e alguma admiração as palmas que ecoam na sala escura, a música é a minha vida... a partir de hoje. Entendo agora o esforço que os meus pais fizeram para me darem o primeiro instrumento, um teclado a pilhas e que ainda hoje guardo no meu quarto. Os sons... os sonhos que tinha sentado na minha velha cadeira de palha na pequena janela do meu quarto olhando Lisboa e os seus prédios altos, os seus centros comerciais e as suas lojas. Lojas essas, onde nunca teria dinheiro para comprar o que quer que fosse. Mas a minha vida foi mudando, o meu mundo foi-se criando à custa das teclas que diariamente tocava. Hoje vivo para tocar, e toco para viver. As horas que passo diariamente são ainda tantas que me foi impossível encontrar o tão esperado amor, desde há uns anos que o meu amor é o piano... e sinto-me bem com isso.

Os minutos estão a aproximar-me cada vez mais dos sons do meu amor. Sinto um ligeiro tremor de pernas mas isto é mesmo só antes de entrar. Esta é a minha vida, e vou lutar para no fim de tudo dizer:

- Obrigado Pais, pelo que me deixaram fazer da vida!


Francisco Milheiro
25 de Julho 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Por ti resistirei"

Olá meu Amor,

Se estás a ler esta carta é porque te encontras bem. Não sei se o sítio onde estás a ler é o lugar para onde enviei, acho que escolheste (se bem te conheço) uma rocha bem junto ao mar e sentir a brisa e quem sabe recordares-te de mim e do nosso secreto lugar. Sabes? É tão estranho estar meio mundo distante de ti, saber que a banda sonora que ouves não é a mesma que a minha, são bombas e tiros. O meu coração está suficientemente preenchido por ti para sobreviver a esta tua ausência mas tenho medo... Há dias acordei com alguém a tocar à porta, o meu coração sobressaía do meu peito, tive tanto medo que fosse alguém teu amigo a trazer-me uma má notícia... mas não, era a mulher de um ex-companheiro teu que partiu, do sítio onde estás.

Ainda esta semana estive no nosso esconderijo, liguei a nossa música e encostei-me a chorar a um canto, o tal em que me beijavas daquela forma louca e dizias:

- O nosso amor é mais forte que a guerra! Por ti resistirei!

Não podia deixar de acreditar em ti mas tinha tanto medo que a minha concentração para trabalhar não era, nem por sombras a mesma de há uns meses. Temo por mim, por não te ter, temo por ti por não me voltares a ver. Sei que o nosso amor é verdadeiro e resistirá no espaço e no tempo mas não confio na guerra onde te encontras. Tenho lido tantas histórias no jornal e na televisão, de soldados que partem e já não regressam. Será esse o teu caso? Serás tu apenas mais um no meio de tantos que morrem para salvar a honra de uma pátria? Mas que pátria é esse? Que mundo é esse que precisa de uma guerra. Tenho tanto medo de voltar a estar sozinha, não me imagino sequer a apaixonar por alguém que não sejas tu. Promete que quando voltares trazes-me um sorriso no olhar e um beijo guardado durante este tempo. Prometes-me pedir novamente em namoro? E casamento, será esse o teu sonho? Será esse mais um ponto em comum? Amo-te tanto, e vou sobreviver ao tempo. Imagino-me (e gosto) de cabelos brancos contigo a meu lado na nossa praia a falar sobre os tempos de guerra e de como foste para mim, um Herói.

A caneta que estou a usar para te escrever sente-se gasta, sinto-me cansada, com as lágrimas a cairem sem controlo pelo rosto porque apenas penso, em Ti. Voltas para mim? Resiste apenas mais um pouco, lembra-te do que fizemos, do que fomos e do que ainda nos falta viver! Por ti resistirei, espero o mesmo de ti! Recebe nesta minha fotografia um beijo do tamanho do mundo. Até breve!


Resposta

Olá meu Amor,
O tempo aqui passa a voar, literalmente! Não tenho tempo de fazer amigos nem de confraternizar muito. Ainda ontem bebi-a uma cerveja com uns companheiros, hoje morreram os dois vítimas de um ataque surpresa. Gostei de ler algo teu, aconchegaste-me o coração, deste-me a força que preciso para sobreviver com um sorriso, apesar do cenário devastador que vejo ao acordar. Tenho pensado muito em Ti e em tudo o que fomos e o que quero ser quando regressar aos teus braços, já não falta muito meu Amor! Já não falta tudo! Não faz muito tempo que ouvi uma conversa dos meus generais que a guerra está prestes a acabar, se tudo correr bem o Natal passarei a teu lado e no ano novo brindaremos a uma nova vida, essa sim, recheada de Bons Momentos e isenta de guerras e conflitos. A praia onde me refugiei para ler as palavras que me escreveste, não a escolhi à toa, é relativamente parecida com a nossa, aquela tal em que nos perdemos vezes sem conta e entregámo-nos ao amor naquelas dunas. Vivíamos cada verão como se fosse o último, cada segundo era o momento perfeito para um beijo, cada minuto era aproveitado para dizermos um Amo-te, para darmos um mergulho naquela água fria mas que nos aquecia, tal era o amor. Aproveitávamos o sol até não o vislumbrar-mos, as estrelas eram já uma realidade quando te deixava em casa no meu carro descapotável e regressava ao quartel. O nosso amor resistiu a várias intenpéries, esta é apenas mais uma. O teu amor alimenta-me, saber que esperas por mim faz com que o tempo passe de forma célere. Acho que este afastamento não foi por acaso, não foi pelos países estarem em guerra e eu fazer parte de uma elite que o nosso amor vai acabar.

Todos os dias ao deitar olho e beijo a foto que me deixaste guardada no bolso das calças quando me abraçaste no aeroporto e me disseste ao ouvido:

- Amo-te! Resiste por mim!

Foi dos abraços mais longos e para mim, dos mais perfeitos que dei e recebi. Se fosse um momento de filme imaginá-lo-ia como a cena final de um filme de guerra quando o guerreiro volta para a sua amada. Talvez o tempo se encarregue de perceber que a guerra não leva a lado nenhum e eu possa voltar para o teu lado, coisa que aliás, não devia ter acontecido: um afastamento. Não quero, meu Amor, que duvides do meu amor por ti e que SIM, resistirei e te pedirei de novo em namoro. O nosso amor não merece morrer, e sim, renascer! Nos dias de fascina olho o céu e nele imagino os teus olhos a zelarem por mim, a apontarem-me o caminho longe do perigo. As horas passam devagar, sinto-me cansado mas o teu Amor carrega-me as baterias.

Tenho medo de contar o tempo em que não foi possível estarmos juntos, mas quando regressar para os teus braços não te vou largar. Vê isto como umas férias minhas, imagina que não estou onde estou e que daqui a uns dias me irás buscar a um aeroporto normal cheio de gente com vontade e sorrisos para férias. Sinto também as lágrimas caírem-me pelo rosto ao te escrever estas palavras, não tenho problemas em dizer que choro cada vez que recebo uma carta tua. Já perdi a conta às noites que me perco nas tuas palavras, no teu conforto traduzido em letras.

O nosso Amor vai resistir, e eu tornar-me-ei forte a cada minuto que passar porque sei que vais estar comigo no teu pensamento. E esse, não duvides, é o meu Alimento! Está na hora de enxaguar as lágrimas e escrever-te as útlimas palavras:

- Guarda esta carta contigo meu Amor, nela vai mais um pouco do meu coração!


P.S) Uma abordagem muito pessoal do "Por ti resistirei" de Júlio Magalhães. Parabéns Júlio
Francisco Milheiro
10 de Julho 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Talvez aprenda...

Talvez hoje
Só me apeteça ficar
Até o sol cair
Lá ao fundo, no mar

Talvez hoje
O som da onda a bater
Seja suficiente
Para voltar a ser

Talvez hoje pare
Para me ouvir respirar
Talvez hoje sinta
Vontade de estar...

Entre os olhos postos
Numa folha de papel
Intervalo para olhar os cabelos
Dela, em cor de mel

Talvez hoje anoiteça
Sem eu dar por isso
Talvez porque hoje
Tenha perdido o juízo

Talvez pare
Um pouco para ouvir
O mar mostra
O que estou a sentir

Lanço o olhar
Sem me aperceber
Que para lá do horizonte
Vou tentar ver

Talvez pare
E fique a sentir
Que por ti parei
Para omitir

O que não soube dizer
Sabia que no fundo
Esse jogo
Ia perder

Talvez hoje fique
Sem saber o que falar
Quem sabe pare o tempo
E o faça recuar

Recordar o seu cabelo
Da cor de mel
E de vez em quando
Escrever no papel

- Ontem
Talvez te tenha amado
Hoje sei...
Estou vivo e ACORDADO

Não sei
Se algum dia senti
E vislumbrei
O que achava de ti

Talvez ter-te conhecido
Foi um erro
Mas já acordei
Desse pesadelo

Por tua causa
Chorei...
Mas no fim
Acordei

Sei que não posso
Apagar o que é passado
Ouxalá pudesse...
Não te teria amado

Hoje sei
Sem na altura saber
Que para amar
É preciso ser...

Correspondido
Para no fim dizer
Vivi uma história
Com um final fudido

Viro a página
Para um novo capítulo começar
No fim escreverei
Foi a primeira mulher que amei

Vivo o presente
De forma serena e feliz
Vou agora aprender a amar
Foi isso que sempre quis


Francisco Milheiro
7.7.2011