sábado, 25 de junho de 2011

Alimenta-me!

Embora o tempo corra
Sem cessar
Eu paro
Para pensar

Embora me esqueça
De recordar
Tu não ficas
Sem o teu lugar

Quem sabe seja um sinal
Para que possamos
Em uníssono
Cantarmos no final

Talvez o tempo passe
De uma forma singular
Talvez eu te peça um minuto
Para simplesmente te olhar

Talvez seja o tempo
O dono da razão
Talvez sejas tu
Quem tem a chave do coração

Na vanguarda do tempo
Na inquietude de um abraço
Peço-te um segundo
Para entrar no teu espaço

Talvez apenas precise
De um...
Para te sentir
E saber o que te faz sorrir

Talvez eu tenha
Um segundo para perder
Talvez tenha uma vida
Se assim tiver de ser

Perco-me no tempo
Vou esperando lentamente
Que o teu coração se abra
De forma permanente

Que nele eu possa
Discretamente entrar
E no fim de tudo
Possamos em uníssono cantar

Nos teus olhos vejo
Sinais do tempo
O teu coração
É o meu alimento


Francisco Milheiro
24 de Junho 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Recordando "Alguéns"

Por momentos
Perco-me em histórias sem fim
E outros pedaços
Que habitam em mim

Perco-me em ti
Nos teus braços escondo-me
Quem sabe, para descobrir
O que estou a sentir

Sentia-me em ti
Mesmo já não te tendo
Abraçavas-me toda a noite
Mesmo eu já não te vendo

O tempo vai passando
A saudade...
...
Aumentando

Ficaram suspensas
As conversas que não tivemos
Foram tantos os planos
Que juntos, fizemos

Não sei se o tempo
Foi no fim, alguém justo
A caminhada sem ti
É um sinuoso lugar escuro

Fecho os olhos
E imagino-te ao meu lado
Talvez assim me sinta seguro
Para chegar são e salvo

Por tempos não sabia o teu nome
Nem sequer distinguia o teu cheiro
Hoje sei...
Tenho o coração cheio

Pelo carinho que deste
Pelos mimos que sempre...
De forma terna
Fizeste.


P.S) A quem partiu mas não desistiu de viver para ver crescer...

Francisco Milheiro
21 de Junho 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Nobre escolha





Hoje, dia 20 de Junho de 2011 houve, um "regresso à Assembleia". De manhã era visível o entusiasmo de alguns por estarem pela primeira vez no papel de deputados na AR, outros pelo contentamento e deleite por voltarem a uma casa que conhecem bem. É hoje também o dia em que se conhece o segundo "personagem" mais importante da República, e as críticas são mais que muitas. Se por um lado o PS (actualmente na oposição em minoria) critica o actual e recentemente indigitado Primeiro Ministro, Dr. Pedro Passos Coelho de ser um governo demasiado jovem e técnico.

Ora, costuma-se dizer: Na minha casa mexo eu e ninguém tem nada a ver com isso! Basicamente é isso que Passos Coelho quer, e a meu ver bem, passar aos actuais líderes e bons falantes da esquerda. Foram várias as surpresas (para alguns) para as pastas que vão merecer especial atenção e a extinção do Ministério da Cultura, ficando agora a "cargo" do Primeiro Ministro, o que é tudo menos mau, porque sabemos que se trata de alguém culturalmente civilizado e preocupado com o "Produto Português de Qualidade". As horas vão passando na AR, e só mais logo pelo final do dia saberemos se Fernando Nobre, Presidente da AMI vai ser a segunda figura mais importante da República ou se as críticas proferidas por Sócrates, Assis e afins são suficientes para que Nobre não se sente no lugar que foi de Jaime Gama nestes últimos anos.

Zangando-se as comadres, descobrem-se as verdades! Será que vai ser, neste mandato, ou início dele que PSD e CDS se vão entender nas pastas que verdadeiramente preocupam os portugueses? Será o controlo da despesa pública uma realidade ou mais uma ficção "Made in Portugal". Por essas e por outras, o Presidente da República pede um voto de confiança por parte dos portugueses (deputados incluídos) que acreditem no Jovem e Técnico Governo formado pela coligação PSD - CDS. As guerras internas podem ter os dias contados bem como a instabilidade que se viveu pelos lados do Palácio de S. Bento nos últimos anos. Em dia de começo, haverá já um fim determinado?

Só os votos poderão dizer, só o tempo o pode confirmar: Se Nobre foi a escolha certa ou se foi apenas a primeira derrota de Passos como Primeiro Ministro. Já veio afirmar que não contava ser tão criticado por tão acertada escolha, precisamos só de esperar mais um pouco para saber... Terá sido uma Nobre escolha?


Francisco Milheiro
20 Junho 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Chave guardada para te entregar de madrugada

Enquanto a cidade adormece
Olho a estrada e imagino
Sem sair do lugar
Um caminho até chegar

Na longa estrada
Vou percorrendo asfalto e paralelo
Para te entregar um coração
E ter em ti um elo

Um elo
Que me vai fazer ligar
Ao teu mundo
Aquele, que me deixas entrar

Fico confuso
Por saber a distância
Mas o meu amor por ti
Tem mais conteúdo e importância

Fica no silêncio da noite
A esperança de encontrar sem me perder
A estrada que
Sozinho vou fazer

Vou-te encontrar
Numa qualquer cadeira de baloiço
Nela perco-me nos teus braços
E guardo-te como um tesouro

A estrada percorro
Lentamente sem medo
Para te poder encontrar
E contar o segredo

Que há muito guardo
Bem escondido em mim
- Se gostares, como acho
Fica comigo até ao fim

Tens o meu coração
Para ti
Não tem base
De licitação

Percorre o meu corpo
Decidida e sem pudor
Despido de preconceito
Entrego-te o meu amor

Vou guardar para sempre
O que de melhor aconteceu
Já que na escola foste a Julieta
Serei para sempre o teu Romeu

Guarda um sorriso meu
E eu dar-te-ei o mundo
Que guardei
Para ser apenas teu


Francisco Milheiro
15 de Junho 2011

domingo, 12 de junho de 2011

Carta ao entardecer...

Meu Amor,

Sei que já me esqueceste, mas ainda assim gostava de te relembrar o quanto foste importante para mim. Meu Amor, eu sei que o tempo não perdoa, as horas passam e não voltam sequer atrás, eu sei que o teu interesse por mim esvaneceu, esmureceu como aquela noite que surgiu com tempestades sem aviso prévio. O meu amor foi crescendo mas o teu coração não era mais do que um lugar reservado e ocupado por alguém que não eu. Nesta praia vou caminhando e chorando as lágrimas que teimei, por ser homem, em não chorar à tua frente. As vezes em que precisei de te pedir desculpa não tive coragem, as vezes que errei não foram suficientes para aprender a lição. O tempo foi passando, e o meu lugar foi ficando… guardado noutro lugar que não o teu coração. O sol está-se a pôr na praia em que passeámos diversas vezes, em que nos deixámos ficar para lá da hora marcada, momentos esses sempre interrompidos pelo barulho das ondas nas rochas que ficavam firmes aos nossos pés. O cheiro do teu cabelo ainda o reconheço, o teu rosto peço… para tocar e nunca mais o largar. Falámos vezes sem conta sobre a formula mágica de guardarmos os momentos e de nos recriarmos para sempre mas o tempo, mais uma vez, se encarregou de fazer o contrário. Hoje, sei que não me reconheces, já nem sequer sabes o meu número, sou apenas mais um da tua lista telefónica, que sei, ainda está ao lado do piano da tua sala.
Sabes, meu Amor? No outro dia sonhei contigo. Sonhei com o tempo em que éramos um todo, o ar de jovens apaixonados estava estampado nos nossos rostos, a cada manhã olhava o espelho e nele via reflectido o teu. Era sinal de amor verdadeiro, de amor sem interesses, apenas no bem que fazíamos mutuamente. As horas vão passando, não voltam a repetir-se aquelas saídas nocturnas só para te dar um beijo de boa noite, que acabavam sempre com a mesma frase:
- É por estas maluquices que te amo cada vez mais!
Foi por ti que deixei de dormir para poder escrever meu Amor, esta e outras cartas que não chegaste a ler. Sei que agora estás sentada na tua cadeira, feita poltrona com os pés assentes num pequeno banco de apoio e durante o dia estás virada para o mar… O tal em que mergulhavas comigo, dizendo:
- Se esta onda for a última que o mar tenha força para criar quero que ela nos atinja com a sua força e dê uma nova alma para este amor não acabar.
Foram tantas as vezes em que olhavas para mim, tu no mar e eu sentado na areia, e com um sorriso dizias:
- Meu amor, a água está óptima. Deixa-me partilhar este momento contigo!
Nunca resisti a uma chamada tua, ficava sempre nervoso quando entrava mas sabia que estaria nos teus braços para nunca mais te largar… Fizeste-me, sem culpa, acreditar num amor verdadeiro, único e real, aqueles que só acontecem nos filmes, mas a nossa vida era, infelizmente vida! Estou aqui a escrever à beira-mar e estou a imaginar-te ler esta carta, com um leve sorriso no rosto de menina (que ainda sei que preservas) e uma furtiva lágrima porque conseguiste por momentos, relembrares quem foste. Eu ainda sei quem sou, mas tu infelizmente, já não te reconheces nem ao espelho. Os anos foram passando e a natureza humana (cruel) fizeram-te refém num corpo de mulher de idade.
Se este for o meu último dia na terra, quero que saibas, vou feliz, porque consegui por momentos recordar o passado em que fui feliz e a pessoa que sempre quis… esteve comigo, naquela praia, naquelas rochas, naquele oceano, naquela vida.
Hoje talvez te escreva para dizer Adeus ou até breve, sei que nos vamos voltar a ver e que nesse dia vais sorrir porque me vais reconhecer. Vais voltar a sentar-te ao piano, passearás comigo numa outra praia, mas com o mesmo sorriso e a mesma vontade: Estar para viver… Recordar para não mais esquecer!

Francisco Milheiro
12 de Junho 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dois mundos

Parece que o tempo corre de mim... o tempo que o tempo diz dispensar por dia a cada um de nós parece que a mim faz de propósito para "debitar" menos... O cansaço apodera-se de mim a poucos minutos de me fazer a uma estrada nocturna. Na estrada que percorro para te abraçar e te sentir faço de bom grado, esperas-me com um copo do velho tinto que nos faz soar e daquele charuto que nos faz respirar um ar tipicamente cubano, com sons de violas e vozes de Pablo e Raquel. Há momentos em que paro para pensar em tudo o que de bom e mau me vai acontecendo, mas por muito que fuja, ou dê voltas o meu pensamento vai para ti. Lembro-me bem dos finais de tarde em que partíamos à descoberta do admirável mundo novo... Aquele que sempre teimavas em dizer que conhecias, que era perfeito, sem guerras, sem fome. Mas que mundo é esse?

- O meu! Onde tu estás presente!

Fazias-me sempre acreditar que o futuro não era mais que o aproximar da perfeição e da eliminação de defeitos. Gostava de poder acreditar em ti mas o que tenho visto e lido nos últimos tempos fazem-me pensar o contrário. Os minutos passam, o espelho vai reflectindo uma imagem que não reconheço, o cabelo vai "escurecendo" para uma tonalidade mais cinza que preta.Fazes tudo para não me sentir o velho que agora sou. Confundo os dias, pergunto as horas quando quero saber os minutos e amava... quando no fundo queria odiar. Mudaste-me, moldei o meu corpo para te apaixonares mais um pouco por mim, deixei de fazer coisas que me davam prazer só para te ver mais uns minutos. Talvez quando olhares para o lado não vais gostar de ver o homem que me tornei, não vais querer saber do sorriso maravilhoso que tinha, das pataniscas que só eu cozinhava e das noites em que nos despíamos de preconceitos e ficávamos nus a olhar o mundo lá fora... As canções soavam no mp3 a um ritmo constante e os nossos corpos uniam-se cada vez mais! Cada vez que fazíamos amor era como se fosse uma primeira vez, o beijo era sempre diferente, o teu toque, esse, sublime fosse qual fosse o espaço era melhor que o do dia anterior. As horas em que fizemos amor foram passando, os dias correndo cada vez mais depressa, e eu, meu amor, fui perdendo capacidade, ou diria antes, vontade de te amar. A partir de um momento o teu sonho era outro, o meu beijo era diferente, o nosso mundo era pintado de cor diferente. A minha tela estava em branco e eu iniciara um mundo novo, a tua pintada de um rosa claro mas com várias tonalidades de preto. Seriam esses traços negros os que afectaram o mundo que quisemos criar? Terei eu sido um mau amante? Terás sido tu e o teu feitio uma via rápida para o desencanto?

O mundo foi ficando confuso, as tuas horas corriam devagar... as minhas teimavam em correr para chegar ao mundo da perfeição, talvez um mundo criado por mim recorrendo à ficção, muito por culpa da tua ingenuidade de menina que me foi incutindo verdades quase (ir)reais. O tempo foi passando e com ele chegou a hora da despedida. Os minutos passavam devagar, enquanto eu percorria a estrada que todos os dias me levava até ti. Quis parar o mundo e dar-lhe as minhas razões... Mas ele não parou sequer para ouvir as reclamações. Foi ele, talvez, o causador mor da nossa morte como Um Só! Resta-me percorrer a estrada, encontrar-te na varanda, soltar um sorriso e dizer adeus. Talvez consigamos daqui a muito ou talvez nada criar um MUNDO NOVO e nele viveremos... até que o tempo pare em definitivo. Não sei como estás, o que sentes... O meu coração está partido mas seguro que este foi o melhor caminho. Estou quase a chegar "ao teu mundo" e recebo uma mensagem:

- Estou aqui para ti! Podemos criar o nosso mundo... Promete-me que vais tentar!

As minhas pernas tremiam... não sabia o que dizer! Parei o carro, soltei um grito e do outro lado ouvi a "minha" voz:

- Não vais saber viver sem a ter!

Fiquei confuso, deixei-me estar... quem sabe aquela estrela me dê um sinal para que tudo dê certo no final da história. Se alguém me pedisse para contar começaria assim:

Era uma vez dois mundos que o tempo uniu e não mais, apesar dos esforços, os separou!

Para quê tentar viver em realidade se o somos mais felizes em ficção?


Francisco Milheiro
9 de Junho

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Brincando com palavras do Tê


Em tempos caminhava pela Cantareira e Foz um Negro que se fazia acompanhar de uma rapariguinha que passeava pelo Shopping, jurava ela não conhecer as regras de sensatez mesmo tendo todo o tempo do mundo para ler almanaques do Fantasma e do Patinhas e prometeu em tempos a Meno, que conheceu na Afurada que ele seria o seu guardador de margens. Caminhando pela Ribeira conheceu a Estrela que se julgava ser o mestre do Rock & Roll que cantava com amigos de cabeça no ar que a mulher que passara por eles até falava estrangeiro.

O Chico, que apelidavam de Fininho percorria becos e ruelas e parava em todo o lado para tomar um café e um bagaço, em dia de ir às Antas. Logo que passasse a monção iria até uma ilha onde nunca se esqueceria do seu amigo Berto que jurara bandeira e saiu de casa com as cassetes dos Doors e alguns livros de poesia. Foi ele que em tempos de guerra escrevera o Fado do Ladrão Enamorado, como também a história do Ourives Mestre João que tinha como bom amigo o Cigano que tinha chegado à vila com o mundo na mochila. Depois de uma passagem por África parou na Ilha do Pessegueiro e cantou um Porto Côvo, nunca esquecendo o seu Porto, que o cantava e sentia. O Cavaleiro Andante que tinha em si levou-o a apaixonar por uma miúda que o levou anos mais tarde à ruína, fazendo-o empenhar o anel de Rubi para a levar a um concerto para os lados do Rivoli. A morte saiu à rua bem como a camponesa de casaco escuro, a tal, que lhe jurou amor eterno e que não lhe mentiu da sua ida ao salão de jogos para um jogo de Bilhar...

Na pior altura, altura do primeiro beijo apareceram as primeiras borbulhas, no bolso só tinha algum trocado para tabaco e autocarro. Vivia numa casa perto dos jardins onde estavam os velhos. Vivia no Bairro do Oriente, dançava vezes sem conta a dança dos modernos e cantava o Rock da Liberdade, porque tinha um sonho: passear em Maubere entoando mornas e fados porque ele sempre foi um Ladrão Enamorado.


Recorrendo a palavras e títulos do Mestre Carlos Tê escrevi este pequeno texto.

Francisco Milheiro
8 de Junho 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Contar um segredo... para voar sem medo





Talvez hoje não sinta
A real necessidade de voar
Quem sabe pousarei nesta árvore
E pare para contemplar

O lago lá em baixo
Permanece como sempre
Gelado...
Despido de gente

Invulgar beleza natural
Daqui contemplo
Paro nesta árvore
E penso com tempo

Sinto cansaço
Sem vontade para voar
Talvez hoje as minhas asas
Só sirvam para me balancear

No alto daquela montanha
Onde se encontra com a base do céu
Seja o lugar indicado
Para descansar tal corpo meu

Na calma do lugar
Onde poiso para descansar
Encosto as asas ao corpo
E respiro devagar

Observo do alto
Um paraíso que é meu
Na esperança olho em frente
Em busca de um sinal teu

Esticarei as asas
O máximo que puder
Só para ter a certeza
De o teu corpo proteger

Hoje talvez me sinta cansado
E precise de pousar
Mas ter-te-ei sempre
Diante do meu olhar

Tu que me fizeste acreditar
Que é possível crescer
Basta querer...
E aprender a voar

E eu quero
Poder sonhar
Para um dia bater as asas
E para longe voar

Hoje talvez me sinta cansado
Preciso de parar
Quem sabe vou agora dormir
E nas tuas asas guardar

Um segredo
Que teimo em não te contar
Mas vou ganhar coragem
E explicar...

Contigo, vou aprender de novo
A arte de voar
Quem sabe me ensines
De novo, a amar

A amar
Sem qualquer reserva ou medo
Talvez seja esse
O belo do segredo

Vou voar...
Agora do teu lado
Mesmo que lá em baixo
O lago esteja gelado


Francisco Milheiro
6 de Junho 2011 (Antes de dormir!)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Caso Rui Pedro, terá fim?





Pois é, o tempo já lá vai, os dias vão passando e Portugal vai no caso, acordando e tentando resolver problemas e casos antigos, este de que vos falo tem já 13 anos de existência. Foram passados treze anos para que o Afonso Dias, o amigo do jovem desaparecido de Lousada fosse "convidado" a ir a julgamento. Hoje, durante a minha pausa para almoço tive o "prazer" de ver tal reportagem e ouvir em primeira mão as declarações da Mãe de Rui Pedro, Filomena mostrar-se esperançada em ver o caso resolvido e ainda na ténue esperança de reencontrar o seu filho treze anos depois. O Advogado de Defesa, dr. Ricardo Sá Fernandes está confiante com o desfecho do processo que se arrasta há mais de uma década nos tribunais portugueses. Ao que parece o julgamento não é para agora porque vêm aí as férias judiciais. Ora, foi preciso chegar a Junho para chamar a julgamento um dos primeiros (no caso, dos últimos) a ver Rui Pedro!? Quem, é que no seu perfeito juízo pegou numa criança de apenas 11 anos e a leva às miúdas de rua, vulgo, prostitutas. O caso vai dando já pano para mangas e os órgãos continuam a acompanhar este processo que teima em não estar concluído... Agora, serão mais dois meses à espera que o julgamento comece e se tirem algumas conclusões. Ora, passados estes anos, Afonso ainda se lembrará do que fez nesse dia aziago para uma pacata família de Lousada? Estará a mãe do jovem (agora já adulto) preparada para o voltar a ver? Onde andará Rui Pedro? Terá caído nas malhas da pedofilia? Terá sido levado por alguém? A mando de quem? São tantas as questões que se colocam neste momento mas nenhuma delas parece ter ainda resposta. Advogado de defesa do agora arguido, está convencido que o seu cliente será absolvido por não haver provas suficientes para o incriminar. Não será este caso, mais um para cair em saco sem fundo!? Estará o país preparado para julgar tais casos!? É por essas e por outras que só se safa quem tem dinheiro ou é conhecido. Podíamos também, no caso, retomar o caso Maddie McCan: porque é que aquando do seu desaparecimento os pais contactaram a CNN do Algarve e só duas horas mais tarde a Polícia Judiciária!? Seria este um plano engendrado para criar uma fundação para angariar dinheiro a esta família ou um simples "golpe bem montado"? Dois mil e sete já lá vai e Gonçalo Amaral foi "convidado" a se afastar da PJ após ter dito de sua justiça no livro "Toda a verdade - O caso Maddie". Se o caso Maddie não tem solução à vista, e sucedeu-se à poucos anos, o que dizer do caso Rui Pedro? Quem sabe daqui a pouco ouviremos nas notícias: "Caso Rui Pedro arquivado por falta de provas" ou "Caso Rui Pedro arquivado por prescrição". É por estes processos que a justiça devia lutar até se cansar e não com processos de Apitos Dourados e afins. Os dados foram agora lançados, quem ganhará o jogo!?

Francisco Milheiro
6 de Junho 2011

domingo, 5 de junho de 2011

Estranho caso de meio amor





Por largas horas me perdi
E percorri...
O teu corpo que sentia
Cada vez mais meu

Por horas me perdia
Nos teus braços
E sentia-me seguro
Naqueles nossos abraços

Por minutos perdia-me em ti
Apenas porque te queria
Mas tu, pouco ou nada
Te importavas

Por minutos pedes um "Esquece-me"
Em segundos desaba um mundo
Aquele que tinha criado (achava eu!)
Em pouco mais de um segundo

Por momentos paro para pensar
Não vão chegar os anos
Para eu voltar a pedir
Para de novo, te amar

Para ti
Estou fechado
Mas o meu coração
Está longe de estar magoado

Pedes para esquecer
O que de mau se passou
Deves-me achar parvo
Mas isso é o que eu não sou

Por horas me perdi
Hoje passo minutos
A dizer como fui parvo
Por me ter apaixonado por ti

Escrevo, não porque penso
Mas para expulsar em definitivo
O que por minutos achei
Ser nada mais que um mito

Apaixonar só uma vez
A tua não contou...
Porque apenas um de nós
Tentou...


Francisco Milheiro
5 de Junho 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cidade a preto e branco

Percorro-te lentamente
Subo e desço
Até me cansar
Verdadeiramente

Soltam-se palavras estranhas
Sinónimos que finjo não perceber
No rio vejo a lua
Que se reflecte até ao amanhecer

Na cidade que pinto
Diariamente a preto e branco
Divago lentamente
Deixo que se "abra" em lume brando

Nesta cidade que se veste
Para tanto celebrar
Visto eu a tua camisola
Para nunca mais te largar

Percorro-te por entre becos
Subo ruelas e avenidas
As escadas dão acesso
às tuas arcadas escondidas

As luzes que te dão a cor
Que o dia teima em ofuscar
Sinto quando estou na Ribeira
Uma emoção singular

O preto da calçada
Não tira esse teu encanto
Cidade, serás pintada
Por mim a preto e branco

Esse cheiro que emanas de um povo
Honesto e trabalhador
Cidade que és o meu Porto
Aceita o meu nobre amor

Lembro Rui Veloso ao passar
A tua velha e ferrugenta ponte
Pensarei em ti
Não importa quando ou onde...

Cidade deixa que te cubra
Com este simples manto
Deixa que te pinte para sempre
A azul, preto e branco





Francisco Milheiro
2 de Junho 2011

Coração pronto... para voltar a bater

No conforto de um abraço
Revejo em ti,
Algo que sentia
Que parecia não ter fim

No alto da minha inocência
Que muito estimei...
Faltava o amor de mulher
Com quem um dia me cruzei

Foram tantas as memórias
E aventuras vividas...
Foram noites mal dormidas
Em descobertas repentinas

Afagava-te o cabelo
Sentia o teu respirar
Na ausência de um beijo
Deixava-me ficar...

A olhar o teu mundo
Aquele que um dia quis
Ter... nem que fosse
Por um segundo

O tempo foi passando
O amor esmorecendo
Agora restam imagens
Que me vou esquecendo...

De as ver...
De revisitar
Um passado enterrado
No passeio à beira-mar

O tempo foi atenuando
A saudade que em tempos senti
Hoje sei que errei
Ao me ter apaixonado por ti

Vivo agora o presente
Tentando esquecer o meu passado
Sei que vou estar bem
Porque não vais estar a meu lado

Vou acreditar no que dizem:
O amor é verdadeiro
Desta vez vou amar...
Não por metade, por inteiro!


Francisco Milheiro
2 de Maio 2011

Mulher do Anúncio







Pois é pessoal, aqui está um dos temas que mais trabalho me deu... Qualquer rapaz / homem sempre tem o sonho de conhecer a miúda de um anúncio de perfume ou de um outro qualquer produto de beleza. Eu também tive e por isso escrevi este poema simples que depois virou música. Espero que gostem...

Passava à minha porta
Uma garota encantada
Parecia a do anúncio
De uma marca conceituada

Não foram raras as vezes
Em que parei para contemplar
Gostava do seu corpo
E do seu modo de andar

Sabes bem que nesta vida
Não é só saber cantar
É preciso escolher bem
Uma musa p´ra nos inspirar

AI MULHER
SE SOUBESSES O QUE SINTO
NÃO AFOGARIA AS MÁGOAS
NUM COPO DE ABSINTO

Se para muitos és um vício
Para elas és mau costume
Mesmo que eu queira
Não me sai o teu perfume

Estava um dia na paragem
À espera do autocarro
Não foi uma miragem
Ela estava a meu lado

Vem um dia assistir
A um concerto que vou dar
Depois viaja comigo
Por terra ou por mar

AI MULHER
SE SOUBESSES O QUE SINTO
NÃO AFOGARIA
NUM COPO DE ABSINTO

E se algum dia duvidares
Que o que digo na canção
É porque não me conheces
E só me vês na televisão

Gostava tanto de ti
Mais do que qualquer mulher
Mas esse também não será
Um perfume qualquer


Francisco Milheiro
Maio 2011