Parece que o tempo corre de mim... o tempo que o tempo diz dispensar por dia a cada um de nós parece que a mim faz de propósito para "debitar" menos... O cansaço apodera-se de mim a poucos minutos de me fazer a uma estrada nocturna. Na estrada que percorro para te abraçar e te sentir faço de bom grado, esperas-me com um copo do velho tinto que nos faz soar e daquele charuto que nos faz respirar um ar tipicamente cubano, com sons de violas e vozes de Pablo e Raquel. Há momentos em que paro para pensar em tudo o que de bom e mau me vai acontecendo, mas por muito que fuja, ou dê voltas o meu pensamento vai para ti. Lembro-me bem dos finais de tarde em que partíamos à descoberta do admirável mundo novo... Aquele que sempre teimavas em dizer que conhecias, que era perfeito, sem guerras, sem fome. Mas que mundo é esse?
- O meu! Onde tu estás presente!
Fazias-me sempre acreditar que o futuro não era mais que o aproximar da perfeição e da eliminação de defeitos. Gostava de poder acreditar em ti mas o que tenho visto e lido nos últimos tempos fazem-me pensar o contrário. Os minutos passam, o espelho vai reflectindo uma imagem que não reconheço, o cabelo vai "escurecendo" para uma tonalidade mais cinza que preta.Fazes tudo para não me sentir o velho que agora sou. Confundo os dias, pergunto as horas quando quero saber os minutos e amava... quando no fundo queria odiar. Mudaste-me, moldei o meu corpo para te apaixonares mais um pouco por mim, deixei de fazer coisas que me davam prazer só para te ver mais uns minutos. Talvez quando olhares para o lado não vais gostar de ver o homem que me tornei, não vais querer saber do sorriso maravilhoso que tinha, das pataniscas que só eu cozinhava e das noites em que nos despíamos de preconceitos e ficávamos nus a olhar o mundo lá fora... As canções soavam no mp3 a um ritmo constante e os nossos corpos uniam-se cada vez mais! Cada vez que fazíamos amor era como se fosse uma primeira vez, o beijo era sempre diferente, o teu toque, esse, sublime fosse qual fosse o espaço era melhor que o do dia anterior. As horas em que fizemos amor foram passando, os dias correndo cada vez mais depressa, e eu, meu amor, fui perdendo capacidade, ou diria antes, vontade de te amar. A partir de um momento o teu sonho era outro, o meu beijo era diferente, o nosso mundo era pintado de cor diferente. A minha tela estava em branco e eu iniciara um mundo novo, a tua pintada de um rosa claro mas com várias tonalidades de preto. Seriam esses traços negros os que afectaram o mundo que quisemos criar? Terei eu sido um mau amante? Terás sido tu e o teu feitio uma via rápida para o desencanto?
O mundo foi ficando confuso, as tuas horas corriam devagar... as minhas teimavam em correr para chegar ao mundo da perfeição, talvez um mundo criado por mim recorrendo à ficção, muito por culpa da tua ingenuidade de menina que me foi incutindo verdades quase (ir)reais. O tempo foi passando e com ele chegou a hora da despedida. Os minutos passavam devagar, enquanto eu percorria a estrada que todos os dias me levava até ti. Quis parar o mundo e dar-lhe as minhas razões... Mas ele não parou sequer para ouvir as reclamações. Foi ele, talvez, o causador mor da nossa morte como Um Só! Resta-me percorrer a estrada, encontrar-te na varanda, soltar um sorriso e dizer adeus. Talvez consigamos daqui a muito ou talvez nada criar um MUNDO NOVO e nele viveremos... até que o tempo pare em definitivo. Não sei como estás, o que sentes... O meu coração está partido mas seguro que este foi o melhor caminho. Estou quase a chegar "ao teu mundo" e recebo uma mensagem:
- Estou aqui para ti! Podemos criar o nosso mundo... Promete-me que vais tentar!
As minhas pernas tremiam... não sabia o que dizer! Parei o carro, soltei um grito e do outro lado ouvi a "minha" voz:
- Não vais saber viver sem a ter!
Fiquei confuso, deixei-me estar... quem sabe aquela estrela me dê um sinal para que tudo dê certo no final da história. Se alguém me pedisse para contar começaria assim:
Era uma vez dois mundos que o tempo uniu e não mais, apesar dos esforços, os separou!
Para quê tentar viver em realidade se o somos mais felizes em ficção?
Francisco Milheiro
9 de Junho
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