Talvez hoje
Só me apeteça ficar
Até o sol cair
Lá ao fundo, no mar
Talvez hoje
O som da onda a bater
Seja suficiente
Para voltar a ser
Talvez hoje pare
Para me ouvir respirar
Talvez hoje sinta
Vontade de estar...
Entre os olhos postos
Numa folha de papel
Intervalo para olhar os cabelos
Dela, em cor de mel
Talvez hoje anoiteça
Sem eu dar por isso
Talvez porque hoje
Tenha perdido o juízo
Talvez pare
Um pouco para ouvir
O mar mostra
O que estou a sentir
Lanço o olhar
Sem me aperceber
Que para lá do horizonte
Vou tentar ver
Talvez pare
E fique a sentir
Que por ti parei
Para omitir
O que não soube dizer
Sabia que no fundo
Esse jogo
Ia perder
Talvez hoje fique
Sem saber o que falar
Quem sabe pare o tempo
E o faça recuar
Recordar o seu cabelo
Da cor de mel
E de vez em quando
Escrever no papel
- Ontem
Talvez te tenha amado
Hoje sei...
Estou vivo e ACORDADO
Não sei
Se algum dia senti
E vislumbrei
O que achava de ti
Talvez ter-te conhecido
Foi um erro
Mas já acordei
Desse pesadelo
Por tua causa
Chorei...
Mas no fim
Acordei
Sei que não posso
Apagar o que é passado
Ouxalá pudesse...
Não te teria amado
Hoje sei
Sem na altura saber
Que para amar
É preciso ser...
Correspondido
Para no fim dizer
Vivi uma história
Com um final fudido
Viro a página
Para um novo capítulo começar
No fim escreverei
Foi a primeira mulher que amei
Vivo o presente
De forma serena e feliz
Vou agora aprender a amar
Foi isso que sempre quis
Francisco Milheiro
7.7.2011
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