quinta-feira, 5 de maio de 2011

Frontalidade Moralmente Invertida

Os dias vão passando tranquilamente e a um ritmo vagaroso neste paraíso à beira-mar, bem perto de uma tal falência técnica, vulgo, banca rota. As notícias sobre subida de taxas de juro, a dívida soberana de Portugal, os milhares de milhões de Euros esbanjados para entidades públicas e bancos fazem-nos suspirar… a nós, portugueses, resta-nos suar a trabalhar (se for caso disso), por conta de outrém ou por risco próprio investir na nossa vida futura. A entrada do FMI em Portugal foi notícia em tudo o que era serviço noticioso. Aterraram em Lisboa, no já quase (por sorte!) velhinho Aeroporto da Portela, tinham um ar cansado e para tal pararam na primeira “estação” e beberam uma refinada e bem portuguesa cerveja. Ao menos isso, algo em que somos bons. De poucas palavras e com um aspecto de quem saiu há poucos dias de uma Universidade com o mestrado em boas maneiras e finanças entraram em táxis. Porque não foram num bus turístico? Sempre seria melhor: apreciavam o bom que há em Portugal, alguns elefantes brancos: a ponte Vasco da Gama que sofreu uma “pequena” derrapagem, o famoso recinto fantasma da Expo 98, os estádios do Euro 2004, e claro, a singela casa de um tal Sócrates, Zé para os amigos. Ao entrar no táxi, um dos mais faladores homens da Comissão Europeia, respondeu a um jornalista: Ficaremos o tempo que for preciso. À custa de quem? Da EU ou de Portugal? É que se formos por aí estamos bem, mas bem tramados.
Os segundos e minutos passam nas cidades, milhares de romenos, ucranianos, ciganos e afins povoam as estações de correio para levantarem as suas pensões e subsídios de inserção social (coitados! Já fizeram muito por nós!) e depois falam mal do Estado, que é uma bela merda, que não lhes dão apoio. Enquanto isso se passa, as altas entidades gastam milhares de euros POR DIA em almoços e despesas de representação, existem secretários de Estado, auxiliares de secretários de Estado e auxiliares dos auxiliares, 5 motoristas para um só Ministro, sendo um deles o CHEFE, ou seja, faz menos e ganha mais! Enquanto Portugal adormecia num sonho cor-de-rosa contado pelo então Zé do Povo, o Sócrates a oposição lembrou-se de acordar os portugueses, mas já era tarde. Estava o Presidente sossegado em casa, no lindíssimo Palácio de Belém e o Zé foi lá pedir a demissão. Acho de mau tom! Em Portugal, o serviço público tem horário de funcionamento. Quem é ele para pedir demissão àquelas horas da noite!? Ah! Já me esquecia, é o Zé, não é um qualquer. A licenciatura obtida a um dia missal, o curso de inglês no BBC School da Rechousa não lhe valeu… Chegou a Bruxelas e disse aos amigos: Ai! Mi neime is Jose end i lixated the portugeses! Tal e qual! Isto traduzido para Português é:
- O meu nome é Zé e desde criança sou um doce! Portugal está óptimo, vós é que sois uns pessimistas! Olhem à minha volta. Os meus amigos todos têm carros de alta cilindrada, temos casas no centro da capital de 800 mil e só ganhamos 16 mil ao ano. A minha mãe era auxiliar de limpeza doméstica e ganha 3 mil de reforma.
O FMI chegou… e pelo que se sabe, está de malas aviadas. Já vieram cumprir o seu dever: ajudar-nos a sair da cova… mas estávamos tão aconchegadinhos que nos vai dar pena sair dela! Pelo menos não víamos a luz do dia, mas também a noite para nós era um sacrifício… Há muito que estamos a dormir. Em breve teremos eleições, em breve se tudo correr como previsto teremos um novo governo, desta vez com menos pastas e ministros mas que trabalhem de Sol a sol… O FMI chegou, viu, riu e no fim de tudo emprestou… Vai agora passar o cheque. Eu, pelo sim pelo não, vou esperar, ver… e espero com esta alma socialmente democratizada VENCER! Só assim sei ser! Ao contrário dos outros que chegaram, viram e enterraram. Chegaram a ponderar colocar o país à venda no jornal com o seguinte anúncio:

- Vende-se país. Vistas sobre Atlântico. Óptimas relações com Venezuela. Excelentes vias de comunicação. Mais alta tecnologia!

É caso para dizer: Se a minha frontalidade fosse moralmente Invertida talvez conseguisse viver num país como este, um país de maravilha!

Francisco Milheiro
5 de Maio 2011

1 comentário:

  1. Bravo, bravo Francisco! Este texto é digno de registo jornalistico, crónica e critica super deliciosa! bravo + uma vez!abraços

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