terça-feira, 24 de maio de 2011

Por entre passos...

O tempo corre lentamente
Os meus pés deixam na areia
Um inexplicável modelo...
De pé perfeito

Divago por entre dunas
Subo ao calçadão
Na esperança de encontrar
A outra parte do meu coração

Esqueço o passado...
Que me atormentou
Vivo o presente
E o que ele me reservou

Gaivotas pairam no ar...
O meu peito bate forte
Numa leve esperança
De te encontrar

Os sons reconheço
O meu coração?
Não está em saldo
Não o vendo a baixo preço

O calçadão está vazio...
No teu lugar
Está um espaço
Reservado e frio

Sinto ao respirar...
Divago ao luar...
Nesta praia onde encontrei
Por sorte, o teu olhar

Vou divagando...
Vou sentindo
Vou ficando
Vou fingindo...

Que te encontrei...
Quem sabe assim
Fique feliz não desde sempre
Mas até ao fim...

Ao longe...
Não acredito: uma visão
Só poderás ser tu
Neste final de verão

Vieste-me buscar...
O meu coração aquece
Porque sabe: chegou a hora
De perder o medo e amar...

Para poder voltar a sentir...
Quem sabe...
Para voltar
A sorrir



Francisco Milheiro
24 de Maio 2011

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