segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um retrato de Ti, Cidade!

É com alguma mágoa que digo
- Cidade, não te conheço
Todos sabem a tua medida
Mas ignoram o teu peso

Pessoas caminham…
Abraçadas pelo teu rio
Não conseguem esconder a emoção
Esboçando no olhar um sorriso

Não há quem te conheça
Verdadeiramente, só eu
Serás sempre um Porto de abrigo
Num mundo que é só meu

Trazes por vezes à lembrança
Histórias de outrora
No futuro tens esperança
Gritas “Porto” a toda a hora

No calmo rio
Deitas um olhar
A cada amanhecer
A cada entardecer

Cada esquina que desenhaste em ti
Traz uma história ou evoca memória
De personagens e guerreiros
Que escreveram a tua história

Em tempos de guerra
Deste carne, ficaste com as tripas
De resto, uma iguaria que ofereces
Às tuas imensas visitas

A Torre ergue-se bem no alto
Vigias para que nada aconteça
Não há ninguém no mundo capaz
De alcançar tamanha beleza

No teu secreto jardim
Digno de qualquer nobreza
Ergues-te sobre a cidade
Demonstrando com certeza

Que nele te passeias
Para te voltares a encontrar
E esconderes-te daqueles
Que teimam em te ofuscar

Percorro as tuas ruas
E perco-me nas ruelas
Escondo-me nos teus becos
Reencontro-me nas vielas

Para lá do trânsito que se gerou
Fica um obrigado a ti cidade
Que nunca…
Me abandonou!


Francisco Milheiro
22 de Maio 2011

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