quarta-feira, 27 de abril de 2011

No alto da montanha



Aqui no cume da montanha, bem perto da estrela que ontem vi nesta direcção para onde aponto com o meu dedo indicador traz-me as memórias de outrora, os sonhos partilhados e segredos confiados. A tantos metros do chão sinto-me seguro, talvez por ter a real ideia que estás aqui perto de mim. Talvez seja um momento de loucura da minha pessoa subir até tão alta altitude mas leva-me ao desespero não estar mais ao teu lado, nem tu do meu.
A harmónica que carrego no bolso, oferecida por ti naquele meu aniversário faz-me um sinal que me leva a compor a mais complexa e ao mesmo tempo bela melodia, todos os acordes suados ao vento me fazem estar perto de ti e de tudo o que um dia fomos. O som dos pássaros a cantar fazem-me acreditar que és um deles, várias vezes a tua voz de rouxinol fazia-se ouvir no café, no restaurante, na sala de estar ou até mesmo no quarto antes de dormir.
Talvez o tempo se encarregue de adormecer no tempo e me faça chegar perto de ti, ou melhor, recuar um pouco para que te possa ter por mais uns segundos, por mais breves que sejam. Aqui sim, sinto-me bem porque estou perto de ti e de tudo o que foste... um Pássaro Livre que voou até que um dia pousou para descansar... Nesse dia senti a inquietude por te ter perdido, derramei uma lágrima no rio que passava junto a minha casa, por conseguinte, bem perto da tua. Quando saíamos para conversar, tomar um café ou beber uma cerveja antes do jantar algo me fazia acreditar (talvez na minha inocência de criança jovem) que estes momentos se iriam repetir até ao dia em que eu partisse do mundo, não do real, mas daquele que construíamos vezes sem conta, ao final da tarde, num banco de jardim, num riacho, num pedaço de terra nunca querendo ganhar o céu.
O cair da noite aquece-me o coração, porque sei que por breves momentos te vou poder ver aí, a brilhar no céu bem perto de um sonho que em tempos foi teu e meu. Hoje, acordo de manhã e penso em ti, à tarde quando passeio junto ao rio vens-me à memória, antes de me deitar brindo a esta nossa Vitória. A vitória de um Ser que existiu para me ver Vencer... mas que acabou por adormecer.
A vitória está prometida, mas é triste já não te ter na minha Real Vida!

Francisco Milheiro
8 de Abril 2011

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