quarta-feira, 27 de abril de 2011

Por mão própria



Olá meu amor,

Não sei porque pensei em te escrever. Há anos que não ouves notícias minhas, muito menos eu recebo novas tuas. De certa forma não consegues imaginar como estou e como me sinto neste momento enquanto a caneta vai viajando pelo papel branco que tu tanto gostavas de receber com palavras minhas, aos quais respondias com um: Amo-te!

As lágrimas escorrem-me pelo rosto quando me vem à memória os momentos que passámos, as viagens que só nós fizemos para nos conhecermos melhor (como se isso fosse possível!). Contigo fiz as malas e parti para longe...tão longe que nem os telemóveis captavam rede, lembro-me também do veleiro que comprámos por capricho e navegamos mar a dentro... em direcção ao nada na esperança de encontrarmos um Tudo em nós. Nunca pensei, desde que te conheci em viver momentos de paixão com outra pessoa. Custa-me (mas ao mesmo tempo, aquece-me o coração) saber que nos perdemos em braços, cantávamos a nossa canção em uníssono vezes sem conta, e quando era tempo de regressar ao mundo real ficávamos abraçados até o Sol se pôr naquela praia...

É tão estranho ter meio mundo a separar-me de ti, tentei alugar um avião mas ele não garantia que me deixaria aí... onde te encontras. Gostava tanto de te voltar a ver, sentir o teu cheiro (o perfume imagino que ainda tenhas o mesmo), o teu abraço e o teu doce beijo. Se bem te conheço quando receberes esta carta de amor vais ficar com um brilho no olhar e um aperto no coração, o que me permite tirar duas conclusões:

1ª) Ficas feliz por ainda me lembrar de ti
2ª) Não te esqueceste ao fim deste tempo... quem fui, desde sempre!

Se pudesse voltar atrás faria tudo de novo, inclusivé ter-te deixado partir porque sabes bem que foi verdade: só foste embora porque te deixei ir, em nome do nosso amor. É estranho olhar as fotos, ouvir as canções e reviver os momentos que me faz pensar seriamente em fazer as malas e partir para esse resto de mundo, onde estarás... à minha espera, com um copo do nosso vinho de eleição e um pedaço de espaço para mim no teu coração. Sabes, meu amor? O barco que uma vez te mostrei no papel está pronto a ser lançado ao mar, como sempre tive medo dos aviões, acho que era uma viagem linda para fazer... quem sabe que este tempo no mar alto não chegue à conclusão que és mesmo TU que eu quero voltar a ter... Não sei o que te vou dizer quando estiver diante do teu olhar mas quero que saibas que vou dizer o que estiver a sentir. Tenho saudades de tudo o que me proporcionaste, acima de tudo pelo que me ensinaste: a SORRIR e AMAR! Bem, vou-me despedir de ti da mesma forma de sempre...

- Até Já! Ao pé de ti vou estar... quando o sol aparecer... Sei que vais esperar por mim e responderás, tal como da primeira vez: SIM!


P.S) Uma típica carta de amor... A quem a receber é sinal de amor... quem não a recebe é sinal que ainda não é altura.
Feliz dia de S. Valentim.

Francisco Milheiro
14 de Fevereiro 2011

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