Para mim escrever
Nada mais é do que estravazar
O que se vai passando
Num pensamento singular
A canção escrita...
O poema falado
A música ouvida
Do jazz até ao fado
O relaxamento
Esse é bem visível
Na alma de um poeta
De um nobre homem sensível
A poesia liga-me ao mundo
A canção, a TI
Só eu sei o que passei
E o amor que senti
A escrita
Sempre ela apaixonada
Lembra-me sempre um copo
Contigo bebido... pela madrugada
O jazz,
Esse aparecia sem pedir...
Servia-se do mesmo copo
Que eu bebia para te sentir
O martelar das teclas
Do piano que tínhamos para nós
Era tão bom deliciarmo-nos
Com um bom tinto e uma tarte de noz
Bebíamos a mesma canção
Fumávamos a mesma poesia
Contigo, a minha inspiração
Simplesmente era magia
Escrevia sem pensar
Minto...
Pensava
Em te amar
Sentia o teu corpo
Ao de leve junto ao meu
Sempre gostei de me ver
No papel de um qualquer Romeu
A música está a acabar
O meu coração ainda agora...
Começou
A bater para te amar
Sinto o teu jeito
Moldas no meu olhar
Um quadro tão perfeito
Que nem eu saberia pintar
Sento-me ao piano
A melodia sai sem muito pensar...
Apenas porque viajei
Para lá desse teu olhar
O frio, lá fora aparece...
Cá dentro está quente
Somos um só
No meio de tanta gente
Na rua os carros passam
Em nós o silêncio permanece
Viajo pelo teu corpo
Porque assim, te apetece
Se pudesse numa canção
Mostrar o que sentia
Não sei como se chamava
Mas teria uma bela melodia
Seria impossível
Descrever-te numa canção
Porque para isso
Precisava de expor o meu coração
Ama-me pela noite fora
Num momento que é só teu
Sente que chegou a hora
Minha Julieta,
Do teu Romeu!
Francisco Milheiro
17 de Fevereiro 2011
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