Há dias passeávamos junto ao Rio, aquele que sempre consideramos nosso... Encostavas a tua leve cabeça no meu ombro, sentias um abraço meu que te confortava e dizias, olhando o horizonte:
- Tenho tanto medo de já não saberes quem sou...
Tantas foram as vezes que me disseste isso que me vi obrigado a olhar-te nos olhos, mais uma vez, colocar nos teus lábios um beijo e dizer-te:
- Vou-te esquecer apenas no dia em que o faças! Sabes bem o quanto significas para mim...
A luz ténue do final do dia a bater nas cores quentes dos edifícios na Ribeira faziam-nos viajar para um mundo que tantas vezes era o nosso, recordávamos sem muito esforço o dia em que nos conhecemos, o dia em que viajei para te dizer que te amava, o dia em que te deixei partir em busca de um sonho. Quando me falavas em amor, o meu coração fraquejava, queria tanto ter-te a meu lado mas a minha forma de te amar era diferente, queria amar-te livremente, não aguentava sequer a ideia de que se algo corresse mal te perderia para sempre, não só como amor, acima de tudo como Amiga. Sentia-te cada vez mais próxima de mim, acalmava-me o espírito mas a minha condição de Homem Amante sobrepunha-se... o meu coração chamava tão, mas tão alto por ti que me achei por bem te dizer o que sentia... Olhei directamente nos teus brutais olhos castanhos claros, peguei na tua mão de menina em corpo de Mulher e disse sem pestanejar:
- Todo este tempo que estivemos separados fez-me ver que és demasiado importante para mim. Os minutos que se seguiram à tua partida naquela plataforma da Estação, que tantas vezes foi palco de reencontros foram dos mais duros para mim, não aguentei e chorei.... ali mesmo na nova estação, o comboio já ia bem lá longe e o meu coração por ti berrava... já quase sem voz pela emoção do momento decidi escrever-te por mensagem o que em tempos não consegui pessoalmente:
"... Num eterno olhar a essência de um lugar. Tudo aquilo que quis foi fazer-te feliz! Mas a minha forma de te amar levou-me a afastar.... para não te perder! Apesar de tudo quero dizer que te amo e que nunca te vou esquecer".
Pouco tempo depois, o meu telefone tocou, era uma mensagem... Estava com o coração a mil, alguém me olhou de lado, uma velhota que se encontrava na estação e disse-me, como se fosse bruxa:
- Ela não o vai esquecer - e sorriu para mim! Não sabia o que fazer... O telefone deixei-o no bolso por mais uns minutos, decidi sair dali e viajar por entre as ruas e becos até parar no jardim onde passeámos pela primeira vez. No quiosque que ali havia, bem no centro do lindo jardim no centro da cidade pedi o gelado que partilhámos daquela primeira vez em que nos beijámos... Senti ao saborear do gelado o quente do teu beijo. O gelado estava a terminar, enquanto me deliciava recordei todos, mas todos os momentos que fizeram parte da nossa "vida". Senti uma necessidade extrema de pegar no telefone e saber o que tinhas para me dizer...
"... Num momento em que percebi quem e como eras, nasceu uma parte de mim que há muito pensava morta e enterrada. Na distância que nos separa há um sentimento que não é apagado... Amo-te, não pelo que és mas pelo que me fazes sentir quando estou a teu lado. Se me queres saberás esperar. Esperei um ano para te voltar a ver, espera um pouco para me poderes ter! Também te amo!..."
O tempo foi passando e com ele o amor foi crescendo... Se bem me lembro passaram-se nove meses e doze dias para te voltar a ver... No silêncio da noite, no ensurdecedor silêncio da estação beijaste-me e disseste:
- Guarda este momento no teu coração... Obrigado por teres esperado por mim!
Abraçei-te, de uma forma tão especial que pela primeira senti os nossos dois corações unirem-se... Senti o amor nascer, desta vez para não mais morrer...
O rio mudou de cor, a cidade de Presidente, o país de governação. A única coisa que não mudou foi o meu coração. Esse foi adquirido há muito por Ti, que me fizeste esperar mas sabia que me ias amar... até ao fim do tempo! O tempo, esse foi passando e o nosso amor crescendo. Hoje, sentámo-nos à beira-rio, disseste-me mais uma vez:
- Tenho tanto medo de te perder...
Ao que eu te respondi:
- Sabes bem que isso não vai acontecer!
Francisco Milheiro
12 Abril 2011
Parabéns Francisco...
ResponderEliminarGrande ABRAÇO.
Fernando