Olá meu amor,
Ainda não me habituei à realidade.... É tão estranho estar longe de ti! Ainda ontem quando pensava em algo para te escrever, devo dizer-te que escrever com uma lágrima no canto do nosso olho a ouvir a música que nos ligou durante tempos a fio é muito, mas muito complicado. Gostava tanto que estivesses aqui a meu lado para me apoiar nesta fase menos positiva da minha vida, mas sei que não posso pedir isso.... É tão complicado olhar para trás e sentir os momentos passarem por nós como se de um tornado se tratasse, eram intensos mas de curta duração. Ainda me lembro o tempo em que nos perdíamos pelo nosso Porto a conduzir devagar por entre o medonho trânsito matinal (final da manhã, vá!) e nos deslocávamos por entre becos e ruelas sem medo.... íamos da Ribeira à Foz a cantar Rui Veloso, íamos da Foz a Matosinhos a cantar todas aquelas "silly songs" que nos lembrávamos no momento....
É tão estranho querer ter-te e não poder nem sequer por uns minutos. Terá sido este tempo, o que partilhámos que nos levava a pensar (pelo menos a mim) que serias alguém com quem iria partilhar o resto da minha vida? É tão estranho olhar para trás e ver a nossa história: onde nos conhecemos, porquê, quando.... Há tantas questões que a resposta é óbvia: foi o destino que assim quis. Por momentos penso que a nossa passagem por este mundo, o tal em que existe a justiça, os valores, os sonhos, os anseios, os medos.... tem uma razão de ser. Nunca consegui descobrir a minha até te conhecer. Parece cliché mas é verdade, acho que a partir do momento em que entraste na minha vida fizeste-me acreditar que até um ser como eu tinha nascido para amar, amar no sentido de respeitar a duzentos por cento alguém tão diferente de nós mas que desde cedo se ligou.... por terra, por mar, por tantas outras formas que não sei bem explicar. Tantas foram as vezes em que passeávamos abraçados junto ao rio depois de um bom almoço e tu me falavas dos sonhos de trabalhar além fronteiras, quero que saibas que nesses momentos me faltavam as forças nas pernas porque a visão de te perder era tão forte, tão sei lá.... irreal para mim que não queria viver esse momento... Tantas vezes falávamos sobre esta tua passagem por terras do Norte e eu, encantado com a tua presença, que seria algo temporário... Lembro-me tão bem daqueles momentos que antecediam a tua chegada... Eu caminhava de um lado para o outro na estação nervoso, ansioso por te voltar a ver, por te voltar a sentir e voltar a beijar os teus longos cabelos e olhar esses acastanhados olhos. Sempre que saías do comboio olhavas para a tua direita e corrias na minha direcção, ssentia-me tão bem quando te abraçava e nos deixávamos estar agarrados um ao outro, na tentativa de recuperar os momentos em que não estivemos em contacto físico directo (porque a nível telefónico sempre tiveste)... Por momentos a estação podia estar cheia de gente mas para nós a plataforma estava vazia, só nos víamos um ao outro, o barulho dos comboios e o rebuliço de gente era um cenário quase irreal....
Ainda ontem veio-me à memória o dia em que te deixei pela última vez na estação. Pediste-me para não entrar mas eu não consegui .... tive mesmo de te ver partir. Quem sabe se ao guardar um último sorriso teu conseguisse congelar as saudades... mas sabes bem que é impossível! Abraçaste-me de uma forma muito especial e colocaste um beijo nos meus lábios, dizendo-me ao ouvido:
- Guarda bem este beijo que é teu.... Partilha-o apenas comigo e um dia será eternamente teu!
Guardei as tuas palavras, o teu beijo está fechado a sete chaves... Espero voltar a ver-te em breve para te poder de novo abraçar e beijar... Quem sabe não será assim que um dia vamos estar: Bem perto, num sonho meu...
Sabia bem que era difícil te prender a mim mas sabia que eras especial para ficares assim: presa a um mundo, mesmo que esse mundo fosse o meu. Perguntas-te-me no outro dia:
- Porque não me pedes para ficar?
Hoje dou-te a resposta:
- EU AMO-TE! Por isso te deixei partir!
Guarda esta minha carta, mantém-me no teu coração. E sempre que precisares vou lá estar para te dar a mão!
Francisco Milheiro
6 de Fevereiro 2011
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